Wednesday, June 14, 2006




Olho para baixo. De inicio vejo o nada. Apenas uma luz, que brilha de um branco forte...No começo estava maravilhado, mas logo senti uma dor tremenda em meu crânio, meus olhos ardiam e não mais queria ver luz .Então veio as trevas.De inicio aliviaram minha minha dor, refrescaram minha mente, até o frescor se tornar frio, o frio se tornar gélido. Não sentia mais meus dedos, não sentia meus braços, não sentia minhas pernas, não sentia nada, nada além de dor e solidão. Não queria mais escuridão...E em torno de mim algo se materializou. De inicio nada via, de inicio nada ouvia, nada sentia...
Quando percebo o que acontecia a minha volta percebo onde estava, mas nada fazia sentido...Sim era o mundo, que desde que havia nascido comecei a descobrir.Sim era o mundo onde vivia, mas o que fazia ali no alto? Tendo a visão que poucos tinham. Algo relacionado a nobreza.Me sentia forte... Me sentia rei...,mas tal sentimento se foi, pois o silêncio que imperava junto a mim, desaparecera, desmoronando minha ilusão. Caí em mim...Nada mais do que uma criança rejeitada, nada mais do que um em um infinito...
Pensei em como fora parar ali.Olhei a minha volta.Sim agora via.Via quem tudo criára e quem tudo destruira.O homem que me olhava com uma feição seria, ao me ver cofuso riu e, disse se direcionando a mim "irá me contar o que viu ou não?"
Minha cabeça estava pesada,me sentia lerdo, ligeiramente tonto e pensava no que o homem queria ouvir. Com certeza não era sobre minha experiencia fora de mim.E pensando no que poderia ser,uma imagem me veio a mente, algo loiro e sorridente."Um anjo "disse em voz alta, mas apenas com a intenção de ouvir minha própria voz. Rouca, fraca , mas com algo desafiante.Um pingo do que a muito tempo não sentia nesse lago negro que é meu coração.Sentia algo quente...Pensei comigo mesmo: Poderia ser esperança? Algo que o anjo me contára?
Parei de pensar para sentir a brisa que acariciava minhas faces , comecei a relembrar, algo que não parecia muito distante...
Estava quente, mas a mesma brisa que me acariava o rosto agora estava presente em minha lembrança. A rua estava deserta...Mamãe deitada ao meu lado no passeio me disse:"Todos responsáveis por nosso sofrimento estão ali dentro filho, e todos estão ali para ouvir o que eles tem a falar em seu favor, para eles não existimos... "Um barulho de impacto me tirou de minha meditação aos sustos.
Um grupo de jovens saiu correndo do prédio que mamãe havia me apontado. Correram em direção a uma van estacionada proxima a nós. Eram uns 5 ou 6 ,pois não sei qual vem primeiro,mas o que importa é que dois jovens pararam ao nos ver.Todos os outros ja haviam entrado na van.O garoto disse" Eles são testemunhas!" A garota irritada respondeu-o"Cala-boca e entra na van!" O garoto obedeceu.
Sem saber por que vi a mulher vindo em minha direção.Como por educação me levantei e ela se ajoelhou.Estavamos na mesma autura.Ela era tão bela, que parecia um anjo! Cabelos cacheados, completamente loiros e olhos de um azul que pareca o céu.Depois de trocarmos olhores e o cara da van gritar para ela se apressar ela me disse" esperança , sempre tenha esperança" me abraçou e beijou minha face.Levantou -se e com um olhar repleto carinho nos despidimos... Foi o beijo mais doce que ganhei em toda minha vida...
Logo ouvimos falar sobre vandalismo, que jovens haviam posto uma bomba em sinal de reinvindicação.Não feríra ninguém, não era esse o objetivo. Caras mau encarados vieram nos procurar.Eu e minha mãe.
Queriam saber quem havia feito isso, queriam que nos contassemos como eram e como era a van que possuiam.Nos torturaram violentaram e humilharam.Mamãe não disse nada apenas "Em uma cesta cheia de maçãs estragadas há de haver uma que esteja intacta, meu amor por você será eterno".Essa foi as últimas palavras de minha mãe, que fora assassinada a minha frente...
"Vamos fale logo muleque! Ou terei que te matar também?"Sai de meu transe e respondi ao homem" você me tirara a coisa que mais amava ,mas não tirara o prazer daquele beijo, e por ele permanecerei em meu silêncio, por ele permanecerei com minha esperança" No mesmo momento o homem retirou uma arma da cinta, mas ja era tarde demais.Estava do outro lado da grade e minhas últimas palavras foram " e eu tirarei o seu prazer de me matar".Senti a grade fria entre os dedos, nada mais me restava, apenas aquele beijo.Ninguém me roubaria aquele beijo.Soltei minhas mãos e pensei comigo mesmo: Com esperança muito esperança ,os homens um dia voarão...

2 comments:

? said...

nossa, que lindo! foi você que escreveu??

Skye said...

Sim fui eu quem escreveu...