Friday, June 16, 2006

Secret Smile




Você veio desde longe olhando fixamente para mim. Percebi de cara, mas não fiz nada, ou melhor, continuei o que eu estava fazendo, apenas lendo um livro, um bom livro.Quando foi se aproximando você apenas sorriu e disse:- Chegou a hora.Eu assustada com tudo aquilo perguntei:- Hora de que? O que você está falando?- Chegou a hora. Vou ter que ir.- Agora?- É.- Você tem quanto tempo antes de ir?- Eu não tenho mais tempo nenhum, eu só queria te ver pela ultima vez.Nesse momento uma lagrima fria correu pelo rosto dele.- E quando você volta?- Eu não vou voltar.- Diz-me pra onde você está indo pelo menos.- Lacuna Inc.- Eu não acredito que você vai fazer isso.- Eu tenho que fazer.- E quem você vai apagar?- Todos. Quero começar minha vida do zero.- Mas você não pode fazer isso, você tem uma grande mente.- Já fiz a minha decisão. Agora eu tenho que ir. Eu queria te dar um abraço.Aquele foi o abraço mais longo de toda minha vida.E fiquei ali observando ele que andava certo de sua decisão.De repente ele virou e apenas sorriu.Ninguém o viu desde então.Mas acredito que por destino, depois de uns dois anos eu o vi na rua com um grupo de pessoas, em um lugar bem distante do qual costumávamos freqüentar. Fiquei a observar aquilo por uns quarenta minutos. Todos o escutavam atentamente. Naquele momento eu percebi que uma grande mente nunca vai ser destruída.Do nada ele me viu e sorriu,depois de tanto tempo eu pude ver aquele sorriso de novo e me senti estonteante.Não vou voltar lá.Uns dizem que mesmo momentos tristes devem ser guardados. Mas se ele fez o que fez, teve bons motivos.Aquele sorriso não me sai da memória, a qual se for por mim ficará intacta.


(ecrito por Mahira Caixeta)










Tente ver o mundo de outros angulos...

"Me sentia forte...Me sentia rei..."

-Por que está tão feliz meu jovem?- pegunta o velho.
Ele nunca víra o garoto tão feliz.Normalmente ia até aquela mesma praça todos os dias e sentava-se no mesmo banco de madeira, debaixo de um velho eucalipto. Um dia um jovem menino sentou -se ao lado dele e o velho perguntou:
-Por que não brinca com as outras crianças meu jovem?
O garoto por alguns intantes permaneceu calado como se não tivesse ouvido o velho.Depois como que por mera educação o respondeu, mas não tirou os olhos das outras crianças:
-Por que me sinto um velho como o senhor...
Depois de tal encontro, todos os dias o garoto voltava e se sentava ao lado do velho.Nada conversavam,não se olhavam, não se tocavam, apenas dividiam o mesmo banco e faziam compania um ao outro.
Um dia o velho perguntou:
-Por que vem me fazer compania todos os dias garoto?
O garoto da mesma forma que antes esperou um tempo para rensponder, sua voz saiu com o mesmo ton de mera obrigação de ser educado:
-Você foi um dos poucos que se importaram com meu comportamento e minha vida, algo que poucos que não me conheciam fizeram.
Logo após de terminar essa frase o garoto deu um suspiro.
E assim os dias se passaram ate que um dia o garoto ja mais velho sentou-se ao lado do velho, e derrepente abriu um largo sorriso. Como se derrepente visse a coisa mais bela e engraçada que ja vira, e o velho admirou-se. Quando o velho abriu a boca para falar o garoto foi mais rápido:
-Não é impressionate como podemos nos apegar a algo, ou alguem simplesmente pela presença dela em sua vida?
-sim..- com uma pequena pausa o velho continiou-posso le fazer uma pergunta?
-Se ja fez uma, por que não faz a outra?
-Por que está tão feliz meu jovem?- pegunta o velho.
O garoto abriu um amplo sorriso, e pela primeira vez ele e o velho trocaram olhares. O velho tinha olhos que sozinhos contavam histórias. Eram de um azul que com o tempo se tornara prateado.O jovem ao ver aqueles olhos se arrependeu de nunca ter os visto. E o velho como homem ja vivído reconheceu nos olhos do garoto um brilho que lembrava o dos próprios de quando era jovem. Como que para romper o silêncio o garoto respondeu:
-Eu que pensava que tudo sabia, descobri que nada sei...
E juntos como se tivessem combinado falaram:
-"sei que nada sei"
E assim lado a lado permaneceram em silêncio esperando o sol se pôr.
E de forma conclusiva depois de verem o sol se pôr e ver a lua nascer, o velho perguntou:
-Foi uma garota não foi?
-Sim...
E cada um voltou para sua, e pela primeira vez se despediram, mesmo que fosse apenas com o olhar. Um olhar feliz cheio de vida e juventude...

'O que adianta viver sonhando e se esquecer de viver?"

Ao coração que sofre



Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.

E as justas ambições que me consomem
Não me evergonham: poi maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar.

E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.

Olavo Bilac

Thursday, June 15, 2006

Liberdade


As vezes sentimos vontade de ver o tempo passar. Queremos estar com os amigos que nós mais amamos... mas desde quando nossa opnião importa? Fazemos o que devemos...

Para alguém...














Quando não mais vergonha tiver, de a palavra le dirigir,te chamarei para ao paraiso gomigo ir...

Me da um trocado?


A esmola nada mais é do
que o imposto informal,
causado pela injustiça social...

Wednesday, June 14, 2006




Olho para baixo. De inicio vejo o nada. Apenas uma luz, que brilha de um branco forte...No começo estava maravilhado, mas logo senti uma dor tremenda em meu crânio, meus olhos ardiam e não mais queria ver luz .Então veio as trevas.De inicio aliviaram minha minha dor, refrescaram minha mente, até o frescor se tornar frio, o frio se tornar gélido. Não sentia mais meus dedos, não sentia meus braços, não sentia minhas pernas, não sentia nada, nada além de dor e solidão. Não queria mais escuridão...E em torno de mim algo se materializou. De inicio nada via, de inicio nada ouvia, nada sentia...
Quando percebo o que acontecia a minha volta percebo onde estava, mas nada fazia sentido...Sim era o mundo, que desde que havia nascido comecei a descobrir.Sim era o mundo onde vivia, mas o que fazia ali no alto? Tendo a visão que poucos tinham. Algo relacionado a nobreza.Me sentia forte... Me sentia rei...,mas tal sentimento se foi, pois o silêncio que imperava junto a mim, desaparecera, desmoronando minha ilusão. Caí em mim...Nada mais do que uma criança rejeitada, nada mais do que um em um infinito...
Pensei em como fora parar ali.Olhei a minha volta.Sim agora via.Via quem tudo criára e quem tudo destruira.O homem que me olhava com uma feição seria, ao me ver cofuso riu e, disse se direcionando a mim "irá me contar o que viu ou não?"
Minha cabeça estava pesada,me sentia lerdo, ligeiramente tonto e pensava no que o homem queria ouvir. Com certeza não era sobre minha experiencia fora de mim.E pensando no que poderia ser,uma imagem me veio a mente, algo loiro e sorridente."Um anjo "disse em voz alta, mas apenas com a intenção de ouvir minha própria voz. Rouca, fraca , mas com algo desafiante.Um pingo do que a muito tempo não sentia nesse lago negro que é meu coração.Sentia algo quente...Pensei comigo mesmo: Poderia ser esperança? Algo que o anjo me contára?
Parei de pensar para sentir a brisa que acariciava minhas faces , comecei a relembrar, algo que não parecia muito distante...
Estava quente, mas a mesma brisa que me acariava o rosto agora estava presente em minha lembrança. A rua estava deserta...Mamãe deitada ao meu lado no passeio me disse:"Todos responsáveis por nosso sofrimento estão ali dentro filho, e todos estão ali para ouvir o que eles tem a falar em seu favor, para eles não existimos... "Um barulho de impacto me tirou de minha meditação aos sustos.
Um grupo de jovens saiu correndo do prédio que mamãe havia me apontado. Correram em direção a uma van estacionada proxima a nós. Eram uns 5 ou 6 ,pois não sei qual vem primeiro,mas o que importa é que dois jovens pararam ao nos ver.Todos os outros ja haviam entrado na van.O garoto disse" Eles são testemunhas!" A garota irritada respondeu-o"Cala-boca e entra na van!" O garoto obedeceu.
Sem saber por que vi a mulher vindo em minha direção.Como por educação me levantei e ela se ajoelhou.Estavamos na mesma autura.Ela era tão bela, que parecia um anjo! Cabelos cacheados, completamente loiros e olhos de um azul que pareca o céu.Depois de trocarmos olhores e o cara da van gritar para ela se apressar ela me disse" esperança , sempre tenha esperança" me abraçou e beijou minha face.Levantou -se e com um olhar repleto carinho nos despidimos... Foi o beijo mais doce que ganhei em toda minha vida...
Logo ouvimos falar sobre vandalismo, que jovens haviam posto uma bomba em sinal de reinvindicação.Não feríra ninguém, não era esse o objetivo. Caras mau encarados vieram nos procurar.Eu e minha mãe.
Queriam saber quem havia feito isso, queriam que nos contassemos como eram e como era a van que possuiam.Nos torturaram violentaram e humilharam.Mamãe não disse nada apenas "Em uma cesta cheia de maçãs estragadas há de haver uma que esteja intacta, meu amor por você será eterno".Essa foi as últimas palavras de minha mãe, que fora assassinada a minha frente...
"Vamos fale logo muleque! Ou terei que te matar também?"Sai de meu transe e respondi ao homem" você me tirara a coisa que mais amava ,mas não tirara o prazer daquele beijo, e por ele permanecerei em meu silêncio, por ele permanecerei com minha esperança" No mesmo momento o homem retirou uma arma da cinta, mas ja era tarde demais.Estava do outro lado da grade e minhas últimas palavras foram " e eu tirarei o seu prazer de me matar".Senti a grade fria entre os dedos, nada mais me restava, apenas aquele beijo.Ninguém me roubaria aquele beijo.Soltei minhas mãos e pensei comigo mesmo: Com esperança muito esperança ,os homens um dia voarão...

Para alguém especial...


Skye disse...
Um dia vou fugir, para bem longe...Não importa para onde,nem como, o que importa é que o céu deve ser belo.As nuvens devem dançar umas com as outras, e os raios de sol irem de um lado a outro,acompanhando a dança das nuvens como uma criança.Que as cores presentes no céu,nos façam lembrar de momentos felizes...Nos façam pensar que estamos no fim de um arco-íris. Mas nada disso importa, se não puder leva-la comigo.O que seria do mar se não houvesse o céu?O que seria da terra se não houvesse as plantas, as flores e florestas? O que seria de mim se não houvesse você? Quem iria me ajudar a encontrar o pote de ouro?

Piano de cauda


Hoje sou eu o piano. De cauda. Mais não é que um seio estilizado. Sou mais que seio. Corpo. Inteiro. Teu. Sentas-te. Olhas-me. Repousas as tuas mãos neste corpo. Feito desejo. Em cauda. Docemente, cada dedo teu vai desenhando arabescos na pele. Do piano feito corpo. Corpo feito piano. Soltam-se os primeiros gemidos. Não de uma guitarra. Meus. Do piano. Fechas os olhos enquanto te perdes nos recônditos do meu corpo. Cálido piano. Arrancas-me silenciosas melodias num bailado de dedos, mãos. Piano, corpos. Uma sinfonia de sentidos. Teus. Meus. Não a 9ª. Essa, de Bethoveen. Esta, a única. O seu negro. Do piano. Confunde-se com a brancura do manto que me cobre. Branco e negro. Negro e Branco. Apenas o vermelho carmim dos lábios destoa. Entreabertos do desejo que corre. E escorre. Dos teus dedos enquanto bailam pelas teclas. Ou corpo. O meu. Vais descobrindo notas nunca antes inventadas. Não são Dó Ré Mi. Essas que tocas são desconhecidas de qualquer compositor. Compões tu. Só para mim. Descobertas na pele onde desliza a tua. Dos dedos. Puxaste o manto que esvoaçou pela janela até ao nosso jardim. De rosas. Descobres a pele acetinada do piano. Não. Do meu corpo. E teu. As notas sobem sem que te apercebas. A cauda do piano estremece. Gemidos rasgam silêncios como uivos de lobos. Os teus dedos correm velozmente pelas teclas. Pelo meu corpo. Feito piano. Mudaram de ritmo. Compassada(mente). Que sinfonia de prazer. Enquanto um suspiro de névoas, sonhos e alma desnudada se ergue naquela sala. Tu continuas a tocar o piano. De cauda. Ou seios estilizados. Correm dedos apressados de novo. É um mar revolto. Nuvens de tempestade. É a tua sinfonia. Nossa. Voa a partitura que tentaste seguir. Ficou perdida no meio da sinfonia (re)inventada. Abre-se a janela de par em par. Cortina que se rasga ao tentar alcançar o piano. Meu. Nosso. As rosas do jardim curvam-se perante a nossa sinfonia. Despetalando-se. Voam pétalas que cobrem este piano. Meu corpo. Tuas mãos. O vento uiva lá fora. Acompanha este final apoteótico. As teclas vibram debaixo dos teus dedos. Já não são brancas e negras. São de todas as cores. Pintadas por ti. Nós. As estrelas dividiram-se em mil pedaços. Tornaram-se cristais. Cobriram o jardim. Soou a última nota. Fechas o piano. Repousas a cabeça no seu negro. Na brancura de mim. Corpo. Feito piano. De cauda.
(escrito por Nina, eu suponho)

Soneto da hora final


Será assim, amiga! Um certo dia
Estando nós a contemplar o poente
Sentiremos no rosto de repente
O beijo leve de uma aragem fria
Tu me olharás silenciosamente
E eu te olharei, também, com nostalgia
E partiremos tontos de poesia
Para a porta de treva aberta em frente.
Ao tranpor as fronteiras do Segredo
Tu calma me dirás: Não tenhas medo,
E eu calmo te direi: Sê forte.
E como dois antigos namorados
Noturnamente tristes e enlaçados
Nós entraremos nos jardins da morte.
(Vinícius de Moraes)