Sunday, February 17, 2008

O Dono

Minha negra prostituta...
Salva por mim,
ela e tua vida me pertencem.
Salva por mim,
nada mais justo,
agora pertencem a mim.

Vejo te a olhar o nada pensativa
Tua beleza me atrai, me motiva
abraço-te, beijo-te.
Teus olhos me repudiam
Teu corpo tenta fugir-me
estapeia-me mansamente,
para demonstrar desagrado
ignoro
enfia-me as unhas na carne me rasgando a pele

Beleza negra de raízes brancas
como me fascina, entreti, domina

As vezes busca-me mansamente
fingi não querer nada
Massageia-me
Massageia-me as coxas
Crava tuas unhas em mim demonstrando prazer

Teus olhos dourados
Refletem a luz que emano
Como és terrível tua existência!
Es bela, delicada e má!

Pede-me atenção
acaricio-te até entrares em extasy
e como de costume,
crava teus dentes na mão que te acaricias.

Dêra-me um filho
Um filho da rua
Peço para que nunca creças
Ele me desobedeci.
De início me rajeita,
mas logo
Tua posse se torna minha.

Meu negro prostituto...
Acaricio-te até entrares em extasy
morde-me com mais prazer que tua mãe
Tuas unhas mais longas,
mais profundo rasgam minha pele.

Ignoram-me,
mas sempre voltam a mim.
VocÊs me pertencem digo.

Rindo como de praxe
Sobem sobre o telhado,
para admirar a lua que domina
O assunto não me é desconhecido
Trata-se de mim.
O Dono de suas vidas.

O Dono de suas belas e felinas vidas.
Mereço-as?



Para Monique e Noturno

Luna de Castro Goulart
fevereiro de 2008